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28 de jan. de 2010

Internet e Redes Sociais: sinapses.


A Internet nunca mais foi a mesma desde que surgiram as primeiras redes sociais. Síntese da unidade de indíviduos em torno de um tema, cultura ou qualquer outra informacão, seja ela qual for, as redes sociais mudaram a comunicação num paralelo jamais visto pela humanidade.

A informação trafega com velocidade impressionante. Veja pelos replies, retweets, comments e outros afins que transitam todo dia pela web.

Desde a mudança na forma de comunicar ao impacto de quem comunica e como comunica, as redes sociais, a meu ver, são sinapses de um grande consciente coletivo que orbita a web.

As empresas precisam aprender e entender (algumas já o sabem muito bem) o poder dessas ferramentas. Leia-se por rede social todo ajuntamento de pessoas em torno de uma ferramenta, serviço ou produto da web e na web.

As marcas por si só, já "convergem" diferentes tipos de pessoas que, por afinidade, se associam a elas.

Tomemos por exemplo a ferramenta Nike Plus. É um exemplo de rede social criada a partir de:

produto ou marca + hábito + tecnologia

A Nike hoje possui milhões de praticantes de corrida (indoor, outdoor) que "competem" entre si ou mostram seus resultados online. É uma estratégia sensacional. É marketing, tecnologia, interação. É um ciclo de relacionamento. É Branding puro e objetivo.

Talvez pensem que usar a Nike seja um exemplo fora da nossa realidade. Mas digo que não é.

Seja uma marca de Minas, São Paulo, Vancouver, Tokyo ou qualquer outro ponto do Google Maps, tem sempre uma forma de utilizar as redes sociais para promoção ou divulgação de QUALQUER produto, marca ou serviço.

Os grandes avanços da humanidade foram na direção de minimizar tempo ou executar tarefas com o menor esforço. Sempre buscamos a inovação e principalmente a superação.


Acredito que a evolução da internet seja uma grande e complexa rede neural. Um "second life" no nosso dia-a-dia. Veja os exemplos de realidade aumentada (nada de exemplos bobos como ter um boneco na mão ou um personagem), digo realidade aumentada que vai "inserir" o estilo web de informação no nosso estilo real de vida, me refiro a poder "clicar" num prédio e saber todas as empresas que atuam ali, calcular distâncias ou localizar qualquer pessoa / lugar em segundos.

Isso ao mesmo tempo é preocupante. Imagino que a Google tenha mais informação coletada em e-mails, conversas, buscas, etc., que todas as bibliotecas já nomeadas e conhecidas da história da humanidade.

Cada post, tweet, comentário, bit, byte, foto, vídeo, áudio que criamos, enviamos, re-transmitimos, validamos e até mesmo rejeitamos, são blocos, tijolos digitais para construção da nova internet. 

Entender nosso papel enquanto prosumers (produtor e consumidor da informação) é crucial.

Saber tirar proveito de todo esse agigantado volume de interações e informações é questão de sobrevivência. Não importa em qual rede você esteja.

8 de jan. de 2010

Manda que nós faiz!



Nos anos 80 existia um único fornecedor de filme (película) em Belo Horizonte. Fazer filme era caríssimo, coisa de 25 a 30 mil dólares um anúncio de 30".

Acontece que o tal fornecedor era do tipo que aceitava tudo. O pessoal ligava com uma demanda:

- Fulano, tô aqui com um filme pra Grendene, vai ser filmado em Paris, modelo global, 30" com duas versões pro filme. Quanto você me cobra?

- Ah, esse filme aí eu faço por $50.000 dólares.

- Mas fulano, só temos 10.000.

- Quase sem pensar a resposta era sempre a mesma, imediata:  "Manda que nós faiz!"

Não preciso dizer que o tal fornecedor faliu. Esse caso, vivenciado pelo meu pai e por boa parte da velha guarda da propaganda mineira reflete o que hoje, infelizmente, muitas agências e profissionais do mercado estão fazendo.

É muito triste ir a uma reunião com um futuro cliente e ouvir que ele não paga mídia, produção ou qualquer bonificação.

É triste desenvolver um planejamento estratégico impecável, uma campanha primorosa e ver o cliente optar por uma outra agência que ofereceu 10% de B.V ou não vai cobrar criação.

Sei que a novela é antiga, talvez mais longa do que imagine, mas precisamos restaurar o direito de receber bem por um trabalho ético, criativo e exclusivo.

Dizem que nos mesmos anos 80, Washignton Olivetto visitou a Rússia para conhecer o mercado publicitário. Voltou de lá abismado porquê a agência que ele visitou, uma das maiores de Moscou, não aprovava nada com o cliente para veiculação. A justificativa do dono era simples:

"Como posso sujeitar um trabalho feito por uma equipe especialista, pessoas que estudaram e se capacitaram pra fazer comunicação, ao cliente, que é leigo no assunto.?"

Não defendo esse caminho. Defendo uma parceria real. Recentemente na agência que trabalho fomos tomados de surpresa porque numa instituição que vinhamos atendendo há quase 3 anos, mudou a gerência de marketing. Isso pras agências é comparado a notícia que a Blitz Krieg nazista estava chegando nos anos 40 na europa.

Triste ver que nosso mercado vive de sobressaltos de egos. Muda o gerente de marketing, muda a agência.

Isso sem falar nas concorrências marcadas. Participamos recentemente de umas 3 e sabíamos que determinada agência levaria. Não deu outra, a "profecia" cumpriu.

Admiro as iniciativas de pessoas como Donald Isnenghi, que por anos a fio tem mantido, as vezes sozinho e com investimento próprio, o Clube de Criação Publicitária de Minas Gerais. Os profissionais do CPMG (Clube de Planejamento de Minas Gerais), ABAP e Sindapro. Espero que o trabalho desse pessoal com uma postura correta de cada um de nós, gere um mercado sadio e genuinamente competitivo.

Só vale atentar que enquanto tivermos profissionais que mantêem o lema do "Manda que nós faiz!" o mercado não vai mudar. Postura não depende de quanto vamos ganhar ou perder.

Talvez percamos mais do que simplesmente a verba: a dignidade.